Boxe londrinense perde mestre Miguel de Oliveira

O treinador de boxe londrinense, Miguel de Oliveira, faleceu ontem (30/09), aos 66 anos de idade, vítima de complicações pulmonares e renais. Segundo o site Londrix, o técnico estava internado há 60 dias em Unidade de Terapia Intensiva.

Mestre Miguel de Oliveira veiou a Londrina em 1964, a passeio, mas resolveu fixar residência na cidade. Lutador de boxe amador, em 1975 foi convidado pelo sargento Maurício Augustinho Pereira, aficcionado pelo esporte, a difundir a prática do boxe entre os londrinenses. Neste rumo, fundou sua própria academia e em 1980 firmou parceria com o LEC (Londrina Esporte Clube), passando a treinar atletas em ginásio instalado nas dependências do Estádio Vitorino Gonçalves Dias.

Além de ter revelado diversos pugilistas, o professor Miguel de Oliveira também promoveu campeonatos e lutas profissionais no Ginásio Moringão. Seu trabalho será mantido pelo filho e boxeador, Cesar de Oliveira. O corpo do “Rei do box londrinense” foi sepultado nesta quinta-feira (1º/10) no Cemitério João XXIII, em Londrina.

Um pouco da história do querido treinador pode ser conferida aqui mesmo, no Blog O GARGALO, no post “Academia do mestre Miguel: reduto do Boxe em Londrina”, que traz entrevista concedida por ele no início de 2008 para então estudante do 4º ano de Jornalismo da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Mariana Fabre. O post é um dos mais acessados deste Blog, com 764 visitas desde que foi publicado em 9 de maio de 2008.

Published in: on 01/10/2009 at 11:27 AM  Deixe um comentário  
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Academia do mestre Miguel: o reduto do Boxe em Londrina

Esporte que já foi marginalizado, agora é a opção de universitários, médicos, engenheiros e advogados em busca de melhor condicionamento físico

Por Mariana Fabre

Quando se fala em boxe, normalmente as primeiras imagens que se têm são de Rock Balboa. Cenas do lutador subindo a escadaria do museu de arte da Filadélfia ou erguendo os braços após mais uma vitória foram imortalizadas nas telas de cinema. Mas, na vida real, vencer como atleta de boxe não é tão fácil assim, principalmente no Brasil. A falta de incentivo ao esporte faz com que muitos atletas nem cheguem ao boxe profissional.

Em Londrina, a única academia especializada em boxe é comandada pelo treinador Miguel de Oliveira. O mestre Miguel, como é chamado pelos alunos, começou a lutar boxe no final da década de 50 e há 40anos atua do lado de fora dos ringues preparando atletas para a luta.

Segundo o treinador, a rotina da maioria dos atletas de boxe é muito difícil, pois eles têm que dividir o tempo entre trabalho, estudos e treino. Entretanto, as dificuldades não impediram que Edílson Pereira vencesse no boxe. Além de ser o atual campeão brasileiro na modalidade amador, o atleta também se formou em Educação Física e hoje trabalha como auxiliar técnico na academia, onde deu seus primeiros socos. A rotina de Edílson está inteiramente ligada ao esporte que ama. Ele conta que trabalha como auxiliar na academia do mestre Miguel no período da manhã, à tarde sobe no ringue para treinar e, à noite, ainda dá aula de boxe em outras academias esportivas da cidade.

A academia comandada por Miguel de Oliveira ainda fica no pequeno ginásio fundado na década de 80, embaixo da arquibancada do Estádio Vitorino Gonçalves Dias. Mas, se o local de treinamento continua o mesmo, a popularidade do esporte mudou muito desde então: atualmente, Miguel treina 200 pessoas em sua academia.

Mestre Miguel relata que não foi só a popularidade do esporte que mudou, mas também o perfil de quem treina boxe. Se antes o esporte era marginalizado, hoje em dia é praticado por médicos, engenheiros, advogados e muitos universitários. No entanto, esses novos adeptos do boxe nem sempre almejam a carreira profissional. A maioria deles encontra no esporte uma forma de melhorar o preparo físico. Miguel de Oliveira explica que para ser boxeador é preciso ter muita dedicação. “Para ser lutador de boxe são necessários 5 esses: Saúde, porque quem não tem saúde não consegue praticar esporte; Sabedoria, porque um burro não aprende boxe; Soco, que precisa ser forte; Saco, que é a fibra inquebrantável; e Sorte, sem a qual a gente não consegue nada”, finaliza o treinador.

Published in: on 09/05/2008 at 4:15 AM  Comments (10)  
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Prazer sobre duas rodas

Por Flávio Augusto

 

Andar de bicicleta em Londrina não é tarefa das mais fáceis. Imagine encontrar pela frente outros ciclistas, pedestres, carroças, motos, carros, ônibus e caminhões. E o pior: sem a possibilidade de trafegar por uma via exclusiva. Isso mesmo. Londrina possui apenas 10 quilômetros de ciclovias por toda a malha viária, de um total de aproximadamente 1.800 existentes, de acordo com o Plano Diretor do Município de 1997, o mais atualizado.

Segundo estudo realizado por Cristiane Biazzono Dutra, engenheira de trânsito do IPPUL (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), a cidade tem mais de 220 mil veículos registrados. E os ciclistas, justamente por não possuírem um espaço próprio, constituem o elo mais frágil do trânsito, mais até do que os pedestres, que podem desfrutar das calçadas, muitas vezes mal conservadas, porém quase sempre exclusivas.

 

            Bicicleteiro

 

Seu Alcides Carvalho tem 60 anos e nunca teve um carro. Gosta mesmo é de bicicleta e de ser chamado de bicicleteiro. Morador da Zona Leste de Londrina, ele trabalha como porteiro de um clube na Avenida Higienópolis, em frente ao Lago Igapó. Para chegar ao trabalho, “seo” Alcides percorre um caminho de quase 10 quilômetros em mais ou menos meia hora. No entanto, o caminho, além de longo, nem sempre é fácil. Ele, assim como outros ciclistas, se queixa da falta de ciclovias na cidade e do perigo enfrentado por quem adotou a bicicleta como meio de transporte diário.

“Andar por fora da ciclovia é complicado. Tem um desrespeito muito grande e o pessoal corre muito. Por isso, eu sempre passo por outras ruas, eu não gosto de passar aqui no centro não”, comenta.

O risco de dividir as ruas com os outros veículos preocupava “seo” Alcides e também pesou para que ele decidisse diminuir a freqüência com que ia ao trabalho de bicicleta. “Antes eu vinha todo dia, agora eu venho duas ou três vezes por semana. Só quando está chovendo é que eu tenho que pegar ônibus”, diz.

Quando questionado sobre o transporte que prefere, ônibus ou bicicleta, “seo” Alcides não titubeia: “Ah, eu gosto mais de bicicleta, né?. O tempo que eu gasto no ônibus, com a bicicleta eu faço rapidinho”, explica.

E ele não gosta dos modelos mais novos. Confessa que não abre mão da bicicleta vermelha ano 51 e, quando não trabalha com ela, arruma um jeitinho de pedalar um pouco. “Lá, onde eu moro (Jardim Abussafi, região do HU), eu ando de bicicleta direto. Eu tenho uma de marcha lá em casa, mas gosto dessa aqui mesmo”, diz, apontando para a vermelhinha, de tinta um pouco descascada. “Só tem que dar uma arrumada, pintar, trocar o pneu… daí vai ficar boa mesmo pra andar”, completa. “Além do que faz bem pro físico, né?”, conclui “seo” Alcides , sempre com um sorriso no rosto. Terminada a entrevista, ele sobe na bicicleta e volta para casa pedalando. “Minha bicicleta é meu carro”.

Published in: on 13/04/2008 at 6:54 PM  Deixe um comentário  

Futebol amador tem calendário profissional

Marcar jogos de futebol amador. É assim que o vendedor e empresário do futebol Fernando Marques Oliveira viu em um hobby sua oportunidade de mudar de vida

Por Victor Lopes

“Empresário do ramo do futebol”, é assim que o representante comercial Fernando Marques Oliveira se intitula quando perguntado sobre qual profissão exerce. Apesar de vender salgadinhos em bares da cidade há muitos anos, Fernando gosta mesmo de falar de como sua vida mudou de rumo de cinco anos para cá e de uma maneira muito inusitada.

Como todo brasileiro, Fernando sempre gostou de futebol e jogava sua pelada de fim de semana. O tempo foi passando e o vendedor, além de marcar jogos para o seu time, começou a agendar também para times de amigos “Eu tinha um time e sempre marcava jogos, um dia chegou um conhecido meu e pediu para eu marcar um jogo para o time dele. No outro fim de semana, a mesma coisa e assim foi indo”, relata Fernando, com orgulho.

O empresário só não esperava que marcar jogos iria se tornar a sua profissão “No inicio, fazia isso por hobby, paixão mesmo, mas o tempo foi passando e tomando proporções que eu não esperava”. De fato, hoje Fernando gasta seis horas do seu dia única e exclusivamente para agendar jogos para times amadores de futebol suíço da cidade de Londrina e região. “Hoje, marco 100 jogos por semana, tenho contato com mais ou menos 200 times em que esquematizo confrontos de acordo com as condições de cada time”, explica. Só para se ter uma idéia, o Campeonato Brasileiro de Futebol deste ano terá 400 partidas, ao longo de oito meses, mas Fernando marca, sozinho, este mesmo número de jogos em apenas um mês.

Curioso é que no inicio ele não pensava em ganhar dinheiro com esse trabalho “Faço porque gosto mesmo, daí um amigo meu perguntou por que eu não cobrava para marcar os jogos, aí resolvi que ganhar uma graninha em cima”, conta o empresário, que cobra cinco reais por partida marcada. Lucros que hoje fazem Fernando pensar em abandonar completamente as vendas de salgadinhos e dedicar sua vida na organização de jogos e campeonatos de futebol amador “Gostaria de promover um grande campeonato com todos os times que agendam jogos comigo. Jogos simultâneos nos mais de 55 campos onde realizo as partidas”.

Empresário de responsabilidade, Fernando conhece todos os seus times na palma da mão, literalmente. Ele possui fichas de todas as suas equipes, onde marca todos os resultados. “Preciso saber qual time é bom e qual é ruim, para poder marcar as partidas e tenho que conhecer as características de cada time para realizar os jogos certos”, justifica. Os jogos são marcados geralmente por times de bairros ou grandes empresas da cidade, que procuram diversão durante toda a semana. “Para fazer parte do meu esquema, o time não precisa ser bom, apenas tem que respeitar o adversário e não entrar em brigas”, diz o empresário de espírito fair play.

Nestes cinco anos de empreitada no futebol amador londrinense, Fernando conheceu muitas pessoas com fome de bola, mas muitas vezes nunca as viu pessoalmente “Fiquei um ano marcando jogo para um rapaz lá de Cambé só por telefone, um dia fui lá para dar uma olhada na partida e descobri que este rapaz era um primo que eu não via há 15 anos. Foi uma surpresa para mim”. É Fernando, surpresas acontecem, só não se surpreenda se o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, te ligar para uma conversinha sobre o calendário do futebol brasileiro da temporada 2009.

Published in: on 10/04/2008 at 6:09 AM  Comments (7)  
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