Diploma de jornalista em jogo no STF

Por Armando Duarte Jr.

O STF (Supremo Tribunal Federal) deve julgar hoje (10/06) o Recurso Extraordinário RE 511961, que questiona a obrigatoriedade da formação universitária em Jornalismo para o exercício da profissão. Em função do risco que esse julgamento pode trazer à profissão, o Sindicato dos Jornalistas de Londrina realiza protesto hoje, às 9h00, em frente ao Fórum, como forma de pressionar a derrubada do referido Recurso.

A discussão sobre a legitimidade e legalidade da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalismo é antiga. Muitos defensores do que chamam “liberdade de expressão” se baseiam na legislação que criou a obrigatoriedade, editada durante o período da Ditadura. De fato, qualquer ligação com aquele período obscuro da política brasileira traz desconfianças, mas primeiro é necessário entender por que o diploma é importante e sua exigência deve ser mantida.

Qualquer cidadão alfabetizado pode redigir um texto e publicá-lo, seja em seções de cartas, opiniões e em outras em que haja a chamada interatividade com o leitor. Todavia, fazer jornalismo não se resume a preparar um texto e jogá-lo ao público.

A profissão, muitas vezes denominada de “quarto poder”, exige responsabilidade naquilo que é passado à sociedade, cuidando para que a verdade prevaleça e a mensagem seja passada ao público sem vícios de preconceito, discriminação ou interesses pessoais. E isso se aprende nos bancos da Universidade, onde a formação acadêmica engloba conhecimento, ainda que não muito profundo, sobre filosofia, sociologia, economia, cultura e uma série de conteúdos curriculares que vão preparar o profissional da comunicação. Tudo isso vai além das meras técnicas jornalísticas que muitos acabam aprendendo somente quando abraçam de fato a profissão.

Essa formação acadêmica vai formar o bom profissional, como ocorre nos demais cursos universitários. Os estudantes de medicina, de agronomia, de engenharia e dos demais cursos  também tem aulas de ciências humanas e, em alguns casos, até mesmo de jornalismo. Como as demais profissões, é necessário se preparar bem para colocar em prática o aprendizado e se relacionar com o público, seja ele cliente, paciente ou até mesmo leitor.

Por tudo isso, não é possível admitir o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Defendo essa posição com base na experiência adquirida  em quase 24 anos de atuação na área, quatro dos quais dedicados ao estudo de jornalismo na UEL.

Como os demais colegas que têm este mesmo posicionamento, não quero ver meu diploma desprezado como um pedaço qualquer de  papel e ver minha profissão ser tomada por aventureiros, preocupados tão somente em tirar proveito da comunicação em benefício próprio. Meu diploma representa tudo o que aprendi para ser um bom jornalista e o tenho como se fosse um troféu ou uma medalha por ter conseguido chegar lá. Por isso, exijo que o respeitem!

Matéria publicada no Blog adjcomunicacao.wordpress.com

Publicado em: on Junho 10, 2009 at 1:22 pm Deixe um comentário

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