Além de celebrar a cultura japonesa, a exposição também serviu como mostra de resultados obtidos em pesquisas tecnológicas feitas em instituições de Ensino Superior
Por Felipe Teixeira
Os visitantes que foram até o Parque Governador Ney Braga, no fim de semana passado, descobriram que a Expo Imin 100 tinha mais a oferecer do que espetáculos relacionados ao centenário da imigração japonesa. Característica do Japão moderno, a alta tecnologia não poderia deixar de estar representada por estandes dedicados exclusivamente às instituições de Ensino Superior, que investem em pesquisa científica.
A representante da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) na Expo Imin 100, Ângela Louzada, explicou que a participação das instituições é natural pelo fato da organização fazer questão de expor o que de melhor tem sido desenvolvido pelos centros de excelência em ensino no Paraná. “É muito positiva (a participação), pois uma das metas da Seti é interiorizar suas ações, inclusive com a implantação da sede norte em Londrina, e divulgar os projetos que tem mostrado resultados”. No estande, era possível assistir a palestras e conhecer pesquisas feitas com o Biodiesel, piscicultura, alimentos, metereologia e experimentos de Física e Química.
Uma das partes mais interessantes de toda a mostra foi reservada ao Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Neste setor foi possível visualizar as chamadas Tecnologias Sociais. Este tipo de tecnologia se refere aos processos, metodologias ou técnicas eficientes e de baixo custo, que podem propiciar melhoria na qualidade de vida da sociedade. Basicamente são três projetos: Neociclagem, Biossistemas Integrados na Suinocultura e a Metodologia de Tratamento do Bambu.
“O Neociclagem é inovador, porque consegue reciclar totalmente embalagens laminadas, como as caixas de leite. Antes estes objetos não eram reaproveitados por não existir uma técnica para separar materiais como plástico e alumínio”, detalhou a pesquisadora em Química Ambiental, Lorena Dambiski. A separação é feita depois que os objetos são cortados como folhas e perfurados para que, mergulhados em uma solução quente, possam absorver o líquido e assim ser divididos.
Assim como o projeto acima, os Biossistemas Integrados na Suinocultura também aproveitam o que seria descartado pelas propriedades rurais convencionais. “Nós fazemos o tratamento de dejetos suínos. A partir disso produzimos Biogás, que gera energia para um dos centros de pesquisa em Toledo (PR), fertilizantes, criação de algas e piscicultura em cativeiro. Ainda conseguimos gerar créditos de carbono para vender aos países que mais poluem dentro do Protocolo de Kioto”, disse Lorena. A pesquisa com o tratamento do bambu obteve resultados positivos, mas ainda não foi absorvida pelo mercado. “Conseguimos fabricar até shapes para skates mais resistentes que os fabricados com madeira e vendidos nas lojas”.



