Ajuda que vai além da epiderme

Serviço de atendimento psicológico para crianças e adolescentes portadores de doenças crônicas de pele auxilia famílias a enfrentarem os estigmas sociais  
Por Rogério Nozi

Lidar com doenças crônicas é uma tarefa difícil tanto para os portadores quanto para seus familiares. A situação torna-se ainda mais delicada quando essa doença se manifesta na pele. Numa sociedade em que o aspecto exterior é fator de exclusão, aqueles que apresentam qualquer característica que fuja dos padrões estéticos estabelecidos corre o risco de ser discriminado.

Para atender pessoas nessas condições, há três anos, foi criado o serviço de auxílio psicológico para crianças e adolescentes portadores de doenças crônicas de pele e seus familiares, um projeto vinculado à pesquisa e extensão do Depar“tudo a gente pode aprender, inclusive aprender a enfrentar os problemas de uma forma diferente”tamento de Psicologia da Uel.

 Sob a coordenação da Professora Márcia Gon, a iniciativa visa atender jovens portadores de doenças como vitiligo, dermatite atópica e psoríase, que acometem uma parcela considerável da população mundial. De acordo com a psicóloga, entre os principais problemas identificados no comportamento dos pais e das crianças participantes do projeto estão a ansiedade que eles e os filhos apresentam frente a essas doenças, cujas curas ainda não foram descobertas e que provavelmente os acompanharão durante toda a vida; o estresse, que é uma resposta biológica dada pelo corpo aos estímulos e pressões externas; e o preconceito social. Fatores esses que agravam ainda mais o quadro das crianças que já sofrem diariamente com o incômodo das lesões causadas pelas doenças.

“Por serem doenças que se manifestam externamente, as crianças são apontadas na escola e muitas vezes têm dificuldade para explicar o que está acontecendo com elas. Por isso é importante a orientação do psicólogo para que os pequenos desenvolvam um entendimento melhor de sua situação e maneiras de enfrentar o preconceito”, explica a professora.

O atendimento aos pais e aos filhos é feito através de psicoterapias em grupo. Nessas ocasiões, os pais têm a oportunidade de trocar experiências, identificar-se, e aprender com outros pais que vivenciam situações parecidas com a deles. Para as crianças, são desenvolvidas atividades lúdicas. O resultado do esforço, segundo Márcia, é uma maior facilidade dos pequenos em expressar seus sentimentos e, para os pais, um alento. Para a psicóloga Camila Menezes, os problemas enfrentados pelos pais dos portadores de doenças de pele são os mesmos de quaisquer outros pais

 Integram o projeto estudantes do terceiro e quarto anos do curso de psicologia.  Camila Menezes já colaborou em anos anteriores; hoje, formada e estudante de pós-graduação, pretende continuar com os atendimentos. “Foi uma ótima experiência que me fez aprender bastante, porque eu também carregava alguns preconceitos com relação a doenças de pele. No grupo, percebi que as dificuldades que os pais apresentavam eram as mesmas daqueles que não tinham necessariamente filhos com esses problemas, como desobediência, irritação e dificuldade de comunicação”, exemplifica.

A orientação psicológica é de extrema importância para a família. Além disso, contribui com o tratamento médico, uma vez que melhora a forma como pais e filhos lidam com a doença. E isso é refletido na redução do número de vezes em que as famílias procuram atendimento nos hospitais.

 

Serviço:

Os interessados em participar do projeto devem ligar para o telefone (43)3371-4237. O início dos atendimentos está previsto para o mês de agosto.

 

Publicado em: on Maio 28, 2008 at 6:54 pm Deixe um comentário

UM JEITINHO MAIS QUE BRASILEIRO

Por Carolina Rocha Barbosa 
 

         Quando se fala em corrupção imagina-se, imediatamente, políticos corruptos que circulam por aqui ou pelos lados do planalto central. Mas não é apenas no congresso ou no senado. A crise ética está em todas as esferas da sociedade brasileira.

         Pode-se dizer que isso não é apenas fruto das falcatruas vigentes em Brasília, mas resultado de um processo histórico que se deu ao longo de 500 anos.

         Reconhecido nacionalmente como a forma especial que os brasileiros têm para resolver seus problemas, o jeitinho foi transformado em rito e sua prática se amplia para ser utilizada em todas as situações conflitantes da realidade social. E isto ocorre desde o princípio. Na terra de Santa Cruz, portugueses já colocavam em prática a troca de favores para driblar as dificuldades. Com o passar dos anos, os padrões culturais da vida colonial brasileira se reproduziram da mesma forma.

         A sociedade brasileira é coletivista por natureza e não foi fundada no indivíduo, mas nas relações pessoais. Por um lado, bom: o brasileiro não é exclusivamente egoísta. Por outro, vivencia-se somente aquilo que as suas relações pessoais lhe permitirem conseguir. 

         A desigualdade do país dá a idéia – e não só a idéia, mas a real formação – de injustiça social. E essa situação cria possibilidades para se formar mecanismos úteis a fim de driblar essa injustiça. A própria deficiência do sistema jurídico acaba transmitindo o desejo de caminhar na contramão das normas, quando convém. Tem sempre um jeitinho para fugir da burocracia, das filas intermináveis, da dificuldade para passar em um concurso público.

         O jeitinho brasileiro é a transgressão suave já institucionalizada e aceita como característica fundamental e indispensável para o simpático e alegre brasileiro legitimar o seu poder diante dos outros. O seu problema é sempre mais urgente que o do vizinho. E isso, claro que somente isso, justifica que você fure a fila do supermercado.

         O componente das relações pessoais que envolvem “capital” são interessantes. Acumula-se em termos de contato e influência. O antropólogo Roberto Da Matta diria: Seria como se as relações pessoais entre nós desempenhassem o papel do Judiciário nos países individualistas e igualitários. Como cabe ao Poder Judiciário dirimir conflitos a partir dos casos concretos, teríamos, no nosso caso específico, uma resolução “informal”, sem burocracia e rápida: através da “carteirada”, do jeitinho, da ameaça velada e do “você sabe com quem está falando?”.

         Esse mecanismo de navegação social pode ser comparado ao uso das estratégias de negociação nos contratos sociais, em muitas vezes equiparado a um ajuste social para superar as dificuldades financeiras das camadas desprivilegiadas e a aceitação de certas transgressões como forma de protesto.

         Em função da prática generalizada, que faz parte do nosso dia-a-dia, a rigidez da honestidade acabou sendo domesticada e agora assume novas proporções. E esse tipo de atitude, que vem se expandindo, contribui para aumentar a desigualdade social e até mesmo para legitimá-la.

         O Brasil enfrenta uma crise ética de grandes proporções e desta forma o desafio de preservar a integridade moral e o vencimento de obstáculos tornou-se necessidade constante na vida em coletividade.

Publicado em: on at 4:29 pm Deixe um comentário

Mudanças na Zona Azul causam polêmica na cidade

Restrição de estacionamento por no máximo duas horas e fim da carência de quinze minutos confundem muitos motoristas no centro de Londrina

 

Mariana Fabre

 

Desde o último dia 12 de maio, motoristas londrinenses têm se deparado com mudanças no sistema de Zona Azul, velho conhecido dos que precisam estacionar no centro da cidade. Com as novas regras, os proprietários de veículos não poderão ficar mais de duas horas estacionados no mesmo local, sob pena de serem multados no valor de R$ 53,00, além de perderem três pontos na carteira de habilitação.

Para a professora Maria das Graças Marques, a limitação de estacionamento em duas horas evita que alguns motoristas, como donos de loja, estacionem o carro no mesmo local o dia inteiro, impedindo a rotatividade necessária para o sistema. Outra alteração na Zona Azul é a obrigação de pagamento adiantado dos cartões. Anteriormente, quando um carro ultrapassava o tempo de permanência determinado pelo primeiro cartão, os funcionários da Zona Azul colocavam novos boletos e o acerto era feito na saída do veículo.  

Essas mudanças foram anunciadas pela Prefeitura sem, entretanto, ter sido definida previamente uma data para implementação, o que causou grande confusão no centro da cidade na semana passada. A alteração que mais causou polêmica entre os londrinenses foi o fim da carência de 15 minutos. Agora, não há mais a possibilidade de parar o carro por um curto espaço de tempo em área de Zona Azul sem ter que comprar um cartão.

Segundo Graça, a grande desvantagem desse novo sistema de Zona Azul implantado em Londrina é o fim da carência. “Não devem acabar com os quinze minutos de carência, porque assim as pessoas irão pagar por uma hora inteira e estacionar por pouco tempo. A carência da Zona Azul deve funcionar como os quinze minutos destinados para paradas rápidas em frente às farmácias”.

Devido à polêmica causada pelo novo sistema, um grupo de vereadores solicitou ao prefeito Nedson Micheleti e ao presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Mauro Yamamoto, a suspensão das novas regras de Zona Azul, alegando que as mudanças prejudicam os londrinenses e o comércio do centro. Os vereadores também pedem que a CMTU cancele as eventuais multas de trânsito aplicadas nesse período, até que seja realizada uma audiência pública.

O diretor de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, afirmou que a Prefeitura estuda a revisão de algumas medidas do novo sistema. Na última quarta-feira, dia 21, foi realizada uma sessão na Câmara de Londrina, onde se reuniram representantes da Epesmel, Acil, Ministério Público, CMTU, IPPUL e Procuradoria Jurídica da Prefeitura para tratar das mudanças na Zona Azul de Londrina.

Publicado em: on Maio 27, 2008 at 1:43 pm Deixe um comentário

Homem de Ferro: quadrinhos, cinema e cifras milionárias

Herói da Marvel protagoniza uma das mais aclamadas adaptações de HQs para o mercado cinematográfico

 

Flávio Augusto

 

Depois de faturar oceanos de dinheiro com X-Men, Homem-Aranha, Hulk, Demolidor, Quarteto Fantástico e Justiceiro, para falar dos mais conhecidos, a Marvel entra novamente no mercado cinematográfico com Homem de Ferro. Esse é o primeiro filme financiado e produzido pelo Marvel Studios, novo segmento da empresa, construído, em boa parte, graças à renda obtida com as adaptações de seus personagens para as telas de cinema. E talvez seja esse o grande diferencial de Homem de Ferro em relação aos seus precursores nas telonas: por se tratar de uma produção da própria Marvel, o filme é considerado, por muitos, como a adaptação mais fiel de uma HQ de super-herói para o cinema. Na verdade, pouquíssimas alterações foram feitas. Por exemplo: ao invés do Vietnã, a história do herói começa no Afeganistão. Uma mudança inevitável.

O resultado do trabalho evidencia que a fórmula, além de agradar até mesmo os fãs mais ortodoxos, pode também ser muito lucrativa. De acordo com informações publicadas no site Omelete, especializado neste gênero, Homem de Ferro ostenta a décima maior bilheteria obtida em toda a história num final de semana de estréia. Tem mais: se considerarmos unicamente os longas-metragens que não são continuações, os quase U$ 200 milhões arrecadados pelo “Vingagor Dourado” nos quatro cantos do planeta garantem a ele a segunda colocação, atrás somente do primeiro filme da trilogia do Homem-Aranha.

 

O filme – Humor na medida certa, muita ação, efeitos especiais incríveis e ótimas atuações: Homem de Ferro conta com tudo isso e mais um pouco. Interpretado (muito bem) por Robert Downey Jr., o playboy Tony Stark possui inteligência e criatividade invejáveis, além de um senso de humor extremamente sarcástico e divertido. Stark é o maior fornecedor de armas do exército norte-americano e, depois de apresentar Jericó, o novo e sofisticado sistema de lança-mísseis, foi vítima de um ataque realizado por uma milícia de resistência à ocupação militar dos EUA numa província do Afeganistão. Gravemente ferido com os estilhaços de uma granada, que se alojaram próximos ao seu coração, Stark é raptado pelo grupo e forçado a construir um novo Jericó.

Quem pensa que a partir daí o filme reproduziria aquele velho discurso, dos “americanos bons contra os árabes maus”, está muito enganado. Homem de Ferro vai além e traz às telas uma interessante discussão sobre a produção bélica nos EUA e de como essas armas, de uma forma ou de outra, acabam atingindo o próprio país. No filme, o grupo que seqüestrou Tony Stark era abastecido com equipamentos fabricados por sua própria empresa, a Stark Industries. Quando consegue escapar do cativeiro (numa das melhores passagens da produção), a experiência vivenciada desencadeia uma mudança de postura por parte do playboy, que passa a questionar a legitimidade do lucro adquirido com a comercialização de armas e a defender a paz e a justiça, tornando-se o Homem de Ferro.

Assim como em produções anteriores, a maior parte do roteiro é dedicada ao processo de criação do herói. E nesses trechos é que se concentram as cenas mais divertidas do filme, como nas tentativas frustradas de vôo de Stark, vestindo a armadura ainda em construção, ou nos diálogos entre ele e suas maquinas inteligentes (uma delas tem até um “quê” de R2D2, o pequeno robô de Guerra nas Estrelas). Já as cenas do Homem de Ferro em ação não deixam por menos. O som das balas ricocheteadas pela armadura, os efeitos especiais nos momentos de combate, o rock pesado da trilha sonora (com direito a AC/DC e Black Sabbath), tudo ajuda a criar a atmosfera de adrenalina e fixar o espectador à poltrona.

Além do roteiro preciso e inteligente, capaz de conciliar humor, política e ação, a escolha dos atores é outro ponto forte da produção. O protagonista Robert Downey Jr. está impecável como Tony Stark: com a mesma naturalidade, ele consegue mostrar o lado egocêntrico, sarcástico e mulherengo do personagem e a sua posterior redenção.

Terrence Howard vive o melhor amigo de Stark, o Tenente-Coronel James Rhodes.  Muitas das passagens entre os dois são engraçadíssimas e garantem o riso da platéia. Já Jeff Bridges dispensa comentários como Obadiah Stane, figura que reserva algumas reviravoltas à trama. Até mesmo Gwyneth Paltrow se saiu bem como a reservada assistente pessoal de Stark, Virginia ”Pepper” Potts. O elenco conta ainda com a participação especial de Samuel L. Jackon, que, se for comentada, estraga a surpresa no final do filme.

Então, não perca tempo. Se você gosta de quadrinhos, assista a Homem de Ferro. Caso contrário, assista também. É a oportunidade de conferir uma ótima adaptação de HQs para o cinema e, quem sabe, mudar de idéia com relação ao gênero. E uma dica: não se esqueça de ficar na sala depois dos créditos finais!

 

Publicado em: on at 1:38 pm Deixe um comentário

Londrinenses ainda ‘caminham lentamente’ quando o assunto é alimento orgânico

Uso excessivo de agrotóxicos não foi suficiente para consolidar aumento no consumo de produtos orgânicos na cidade

Renata Prado

A agricultura orgânica é um sistema de cultivo que não utiliza agrotóxicos e privilegia a preservação ambiental. No entanto, os motivos que levam cada vez mais pessoas ao consumo de orgânicos vão além da preocupação com o meio ambiente. As recentes notícias sobre o uso excessivo de agrotóxicos em produtos como alface, tomate e morango provocaram uma corrida às lojas de orgânicos, no entanto, para os comerciantes isso ainda não é motivo de comemoração. A empresária Rosana de Andrade, que é proprietária de uma loja de produtos orgânicos em Londrina, afirma que ainda é necessário haver uma alteração na mentalidade do consumidor para que ocorra um aumento efetivo na procura pelos orgânicos. “Houve aumento sim, mas nada que reflita uma mudança de atitude do consumidor de produtos tradicionais”, comenta.

Um dos fatores que leva muitos consumidores a rejeitarem os produtos orgânicos é o preço. Sobre a questão do valor dos orgânicos, produtores e revendedores têm opiniões divergentes. Leonardo Florêncio, produtor de morangos e geléias, afirma que a idéia de que os produtos orgânicos são necessariamente mais caros é um equívoco. “Como utilizamos mais mão-de-obra do que a agricultura tradicional, temos um custo maior, mas isso não precisa refletir no preço”, explica. Já na opinião da empresária Rosana de Andrade, o que garante economia na hora da compra é a valorização dada pelo próprio consumidor: “quem compra um produto orgânico dá mais valor, não desperdiça tanto. A alface orgânica, por exemplo, é mais cara do que a tradicional, mas a pessoa compra só o necessário para o consumo daquela semana. Já quem compra no mercado costuma desperdiçar mais. Até por ser mais barato não dá tanta importância”.

Londrina ainda possui poucos estabelecimentos especializados na venda de produtos orgânicos, mesmo assim já é possível encontrar em grandes redes de supermercados da cidade produtos deste tipo, como geléias, frutas secas e até o nosso tradicional e famoso cafezinho paranaense na versão orgânica.

É difícil acreditar que atualmente alguém desconheça os benefícios desse tipo de alimentação para saúde, mas Leonardo reforça essa idéia sempre que possível. “Você sabe que o que está levando para casa é só a fruta, sem conservante nenhum, com mais sabor e muito mais saudável”, enfatiza. Para Rosana de Andrade o segredo para que a tal mudança de mentalidade ocorra é “não esquecer das notícias sobre os agrotóxicos e avaliar sempre os benefícios para sua saúde e pro meio ambiente”, finaliza. 

Publicado em: on Maio 25, 2008 at 11:49 pm Deixe um comentário

Querida cadê as crianças?

Heloisa Pedrosa 

A geração que durante a infância brincou de pipa, carrinho de rolimã, pião e amarelinha acredita que ser criança é tempo de diversão, tempo de brincar, tempo em que o lúdico e a imaginação estão sempre presentes. Entretanto, não é preciso ser muito observador para notar que as crianças de hoje não são mais como as de antigamente. Saudosismo? Pode ser. No entanto, entender a nova concepção de infância, que aos poucos substitui aquela vivenciada há décadas atrás, é algo muito importante, já que envolve uma nova postura da sociedade perante os menores.

A psicóloga clínica e mestre em Análise do Comportamento, Daniele Fioravante, acredita que a infância de algumas décadas atrás e a de hoje possuem diferenças nítidas. Para ela, o período que pode ser considerado realmente como infância se encurtou: “hoje em dia a infância mesmo vai até aos cinco anos de idade”. Daniele explica que dos seis aos doze anos a criança já tem um comportamento de adolescente. “Ela tem e-mail, MSN, vai ao shopping, gosta de roupas e de maquiagem”. Brinquedos convencionais, como carrinho e boneca, já não estão mais entre os preferidos de meninos e meninas. Por isso, os pais não devem se espantar se seus filhos pedirem um telefone celular de presente de aniversário ao invés de uma bola.

Os fatores que são responsáveis por essa mudança de comportamento são inúmeros, mas Daniele aponta a mídia como sendo um dos principais. Para ela, os padrões veiculados pelos meios de comunicação atingem muito a classe infantil, principalmente as meninas, que são mais afetadas pelos apelos midiáticos, especialmente aos que se referem à vaidade e à beleza.

Érica Daiane Perez e Suzanne Alves Silva, de oito e nove anos, respectivamente, são amigas inseparáveis. Nasceram nesta década em que ser criança é diferente. Misturam a inocência de meninas com a vontade de se tornarem adultas. Elas possuem um domínio da linguagem praticamente perfeito e demonstram isso em cada resposta dada durante a entrevista. Suzanne sonha em ser Arqueóloga. ”Eu acho legal escavar ossos e descobrir coisas antigas”, conta. Érica diz que quer ser veterinária: “gosto muito de mexer com criação”. As meninas respondem com convicção que gostariam de ser mais velhas, “moças”. E se, por acaso, alguém quiser dar um presente a estas duas “mocinhas”, dê uma peça de roupa, porque brinquedo não vai agradá-las. “Com roupa nova eu posso sair, eu fico diferente” explica Suzanne.

O uso do computador para a maioria das crianças é outra coisa comum. Suzanne conta que tem MSN desde os sete anos, possui e-mail e que só saiu da comunidade do Orkut por imposição da mãe. Érica não fica atrás e diz que também domina o uso do computador e da Internet.

A relação das crianças com a sexualidade também é outra e o desejo sexual está sendo despertado mais cedo, como explica Daniele: “Hoje, meninos e meninas começam a namorar muito cedo e a vida sexual se inicia aos 12, 13 anos”. O fato se comprova nas palavras de Érica: “tem uma menina e um menino na minha sala que namoram, minhas amigas namoram escondido”.

Nesse cenário quem sofre são os pais, já que muitos não conseguem educar seus filhos e entram em desespero. Daniele conta que alguns chegam ao consultório sem saber o que fazer. No entanto, a psicóloga adverte que eles não precisam entrar em pânico, já que essa nova maneira de se portar das crianças tem também pontos positivos: “Hoje a gente percebe crianças com muita responsabilidade, justamente pelo fato de quererem ser adultas. Também elas são muito inteligentes em algumas áreas”, acalma Daniele.

Publicado em: on at 11:42 pm Deixe um comentário

Organização promete dose dupla no FILO deste ano

Edição de aniversário do Festival de Londrina terá grande festa no mês de outubro

Edson Ferreira

O Festival Internacional de Londrina (FILO) começa no próximo dia 4 de junho e a grande expectativa desta edição é o aniversário de 40 anos do evento. Serão mais de 300 artistas, com apresentações de dança, circo e teatro em espaços alternativos e nos locais de espetáculos tradicionais da cidade. Os organizadores esperam mais de 100 mil espectadores acompanhando o Festival até o dia 22 de junho.

A novidade é que desta vez o público vai ter mais um encontro com as atrações do FILO no mês de outubro. “Este ano estamos programando shows em um grande espaço aberto da cidade no dia 12 de outubro, que é data oficial de nascimento do Festival,” antecipa o diretor geral do evento, Luiz Bertipáglia. “Será lançado também o livro que conta a história do FILO, com muitos fatos curiosos e emocionantes que ajudaram a construir o cenário cultural de Londrina”, complementa o diretor.

Artistas e grupos que encantaram o público de Londrina foram convidados a voltar nesta edição especial. Segundo Luiz Bertipáglia, será um Festival bastante diversificado. “Nós vamos prestar uma homenagem a companhias internacionais que passaram por aqui e também aos artistas que nasceram impulsionados pelo FILO, como o grupo Armazém e o Cemitério de Automóveis”.    

Os ingressos começaram a ser vendidos na última quinta-feira, dia 22, no Royal Plaza Shopping, mas no primeiro dia já foram esgotados. Para os shows do Cabaré do FILO os ingressos serão vendidos a partir do dia 1º de junho. De acordo com a organização, já estão confirmadas as presenças de Ney Matogrosso, Fernanda Takai, João Donato e do grupo de samba Fundo de Quintal. A programação completa do Festival pode ser conferida no site www.filo.art.br

Publicado em: on at 11:40 pm Deixe um comentário

Fé e Política?

Em Londrina, a Igreja é quem coordena um dos maiores

movimentos contra a corrupção eleitoral do momento

Mie Francine Chiba

A Igreja, estereotipada como a instituição social mais conservadora e protetora do status quo, é um dos membros da sociedade organizada que lançou um movimento grande (nacional) e sério (organizado) pela melhoria da política caótica, pelo menos em Londrina e neste momento.

Todos os sábados, Gilson Vória, coordenador da Pastoral Fé e Política, da Arquidiocese de Londrina, está no Calçadão para colher assinaturas que vão compor o anteprojeto de lei de iniciativa popular contra a corrupção eleitoral. É preciso cerca de 1,2 milhão de assinaturas para que ele seja mandado ao Congresso Nacional. O anteprojeto foi elaborado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, que encabeça o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), formado por 35 entidades, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Este anteprojeto estabelece três normas: proibição a políticos que estejam sendo investigados judicialmente de se candidatarem novamente; impedimento de políticos que renunciaram ao cargo para fugir de possíveis punições da Justiça para se tornarem candidatos; e aumento do prazo de inelegibilidade de quatro para oito anos. Destaca-se o primeiro ponto do anteprojeto, já que muitos políticos se candidatam novamente para usufruir do chamado fôro privilegiado, quando eles não podem mais sofrer condenações da Justiça por ocuparem cargo público.

“É muito simples conseguir mudanças no sentido de combater a corrupção eleitoral, porque uma Lei que trata desse assunto já existe, a Lei de Inelegibilidades”, enfatizou o coordenador da pastoral. “É preciso apenas que sejam feitas algumas alterações nessa Lei.” Vale acrescentar que a Lei de Inelegibilidades, datada de 1990, também foi conseguida por meio da iniciativa popular.

A expectativa é que sejam colhidas 60 mil assinaturas em Londrina. O abaixo-assinado também pode ser encontrado em todas as paróquias da cidade até o dia 30 de junho.

Publicado em: on at 11:36 pm Deixe um comentário

Retrolavagem

De como a modernidade está se livrando das novas

criações e optando pelo modo retrô de se viver 

Mie Francine Chiba 

Há pessoas que gostam do passado. Há pessoas que gostam de nostalgia mesmo quando todo o mundo, dito “vanguarda”, atropela o tempo, as coisas, as pessoas, para conseguir chegar à frente, antes que o resto. Na mídia, a disputa pela notícia em tempo real foi tão longe, que dar a informação hoje significa surpreender o mundo com novidades que ninguém sabe ainda e “o último a saber é a mulher do padre”.

As memórias são o que nos faz, inconscientemente, ser retrô. “A época que mais influencia no meu trabalho é a década de 70. A mistura de cores, a psicodelia, a liberdade, o optical art, o pop art… É também de quando tenho lembranças da imagem dos meus pais, das minhas primas se preparando para sair. Em 74, eu tinha 10 anos. Então, eu tinha como referência o modo de vida dos adultos, de querer ser aquilo que eles estão vivendo”.

Nélio Pinheiro é estilista em Londrina, chegou a ter uma filial de sua loja, Overloque, em São Paulo. Trabalha, além de roupas em estilo retrô, com o estilo vintage. “Vintage, diferente da moda retrô, é você pegar a moda exatamente como ela foi e usar hoje”. O que vale, na moda vintage ou retrô, é reaproveitar e recriar.

O retrô, num outro sentido, é falta de perspectiva. Reflete o desencanto com o que virá. Rogério Ivano é professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e uma das áreas em que atua é a História Contemporânea, a história escrita desde a década de 30. “Na década de 50, a moda era sintonizada com a idéia do grande momento do American Way of Life, da recuperação de toda a Europa do pós-guerra. Então, você tinha a perspectiva de que as coisas iriam acontecer”. A moda, nessa época, acabou por ser mais limpa, mais industrial e futurista, ao contrário da anterior, pesada e cheia de rococós. Nos anos 90, a perspectiva era de que o futuro poderia ser extremamente “tenebroso”, o que faz com que vejamos no passado algo mais interessante.

 “A retomada da antiguidade no presente, feita de maneira crítica e consciente, pode estar associada ao fato de as práticas antigas possuírem uma resposta para questões do presente”, reflete Ivano. De fato, vários exemplos podem ser dados nesse sentido, em várias áreas do conhecimento. Desde o reestudo da utilização da madeira em construções, em um momento em que “estamos assando no concreto e no asfalto”, até o cultivo de hortas nas escolinhas, para ensinar às crianças o trabalho que dá pôr aquela coisa verde no prato delas. A Ioga, as artes marciais, a religiosidade e o vegetarianismo são práticas milenares que não sumiram com o tempo. Continuam em evidência por uma questão de necessidade, de sobrevivência.

Os anos 80 mal foram embora e já tomou conta da população uma nostalgia do vídeo-game Atari, do grupo Menudos, do jogo Genius. Não raro encontramos na Web um site do tipo “você se lembra?” dessa época. Sinal dos tempos, sinal de que, por conta do consumismo e da leva de lançamentos que saem das fábricas todo ano, as coisas se tornam passageiras demais. “Não permanecem, rapidamente desaparecem, objetos de consumo, práticas, brincadeiras. Se continuar nesse ritmo, fatalmente teremos saudosismo dos anos 90”, sentenciou Ivano.  

Publicado em: on at 11:28 pm Deixe um comentário

Londrina tem tratamento grátis para Fissura Lábio-Palatal

Entidade alerta as gestantes para que o tratamento comece ainda na gestação

Edson Ferreira

No Brasil, estima-se que a cada 650 nascimentos uma criança tenha fissura Lábio-Palatal. A fissura é uma má formação, que ocorre ainda durante a gestação, e as conseqüências vão além da dificuldade na fala ou na alimentação. Existe também a queda da auto-estima da criança, já que se trata de uma doença estampada no rosto. Muitas mães não sabem como lidar com o problema, mas, se houver o devido acompanhamento nos primeiros meses de vida, pode-se evitar seqüelas.

A psicóloga do CEFIL – Centro de Apoio e Reabilitação dos Portadores de Fissura Lábio-Palatal de Londrina e Região, Lenita Baliquian, lembra que a recuperação exige a integração entre várias especialidades. “Se tiver problema de voz, será corrigido pela fonoaudiologia. Para problema na arcada dentária temos equipe de dentistas. E não podemos nos descuidar do lado emocional, que fica com a psicologia”. Ela enfatiza que o tratamento deve começar ainda na gestação. “Após constatada a fissura Lábio-Palatal, a mãe precisa nos procurar para lidar com o problema, pois a reabilitação é complexa, mas é eficiente”, reforça.       

Especialistas apontam que as causas principais da doença estão relacionadas a fatores externos: uso de cigarros e álcool, a realização de raio-x na região abdominal durante a gestação, ingestão de medicamentos como por exemplo os anti-convulsionantes ou corticóides, deficiências nutricionais e infecções. Os fatores hereditários são minoria, mas também despertam cuidado.

A criança tem muitas dificuldades na hora da amamentação, mas as mães não podem deixar de alimentar o bebê corretamente, porque as cirurgias corretivas só podem ser feitas com o desenvolvimento normal da criança. Para realização da primeira cirurgia o bebê deve ter no mínimo 5 quilos. “Nós damos todas as orientações para que a alimentação seja dada de acordo com as necessidades específicas de cada caso”, alerta Lenita Baliquian. 

 

Serviço: O CEFIL atende pelo telefone 3344-2393.

Publicado em: on Maio 24, 2008 at 9:31 pm Deixe um comentário