Grupo já conquistou o respeito nacional, mas nem por isso pretende deixar a cidade
Por Paula Resende
Na Rússia, o Bolshoi Ballet completa 232 anos de existência. No Brasil, o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi formado há 72 anos e em Londrina a companhia de dança comemora 15 anos de vida. Pode parecer pouco perto dos gigantes do ballet clássico, mas a Cia. Ballet de Londrina é um orgulho da cidade desde sua criação, em dezembro de 1993, e hoje se firma como uma das mais respeitadas companhias profissionais fora do eixo Rio-São Paulo.
Embora relativamente jovem, o Ballet de Londrina tem muito a comemorar. Ao longo dos 15 anos de atividade foram montados 20 espetáculos de dança, totalizando mais de 400 apresentações para um público aproximado de 70 mil pessoas. O grupo também realizou oito tournées nacionais e, no mesmo pique, fez sete viagens internacionais, participando de festivais em Cuba, Peru e na Argentina.
À frente da companhia desde sua criação, o diretor Leonardo Ramos caracteriza o Ballet de Londrina como um grupo com certas singularidades. Uma delas é o trabalho de pesquisa, que busca novos eixos de equilíbrio e apoios para locomoção na dança. A partir do espetáculo Prazeres, e agora com mais maturidade em Decalque, esse conceito é explorado ao máximo: “do ar, os movimentos vão para o solo”, descreve Ramos. A música “Romeu e Julieta”, de Prokofiev, foi a trilha escolhida para refletir toda a energia presente no palco.
“Muito Trabalho”. É assim que o diretor Leonardo Ramos define os 15 anos de atividade do Ballet de Londrina. Mas em vez de desânimo, toda essa luta só dá novos ares para a companhia continuar ousando no cenário da dança: “temos alguns planos, como revisitar músicas já usadas em novas coreografias, além de iniciar uma pesquisa sobre o espírito malandro do brasileiro”.
No entanto, a grande “missão messiânica” do grupo, como expressa Leonardo Ramos, é “continuar sendo uma companhia genuína da cidade e trabalhar pela difusão da cultura em Londrina”. O diretor se refere aos projetos desenvolvidos em parceria com a Escola Municipal de Dança, onde integrantes do grupo são também professores das mais de 200 crianças de classe média baixa. A Escola já formou muitos profissionais, sendo que alguns deles integram hoje o Ballet de Londrina.



